Raquel Henriques: “Tenho vontade de me apaixonar”

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Viveu um grande amor ao lado do actor Paulo Rocha, mas a relação terminou com uma traição, que a fez colocar a vida profissional à frente de qualquer outra coisa. Sem trabalho na televisão, a actriz e apresentadora apostou no culturismo.

– Mudou de vida e decidiu dedicar-se ao mundo do desporto…

– Sim, mudei completamente a minha vida. Sempre estive ligada ao desporto, mas decidi deixar de o considerar apenas um hóbi. Agora uso esse meu gosto pelo desporto de forma profissional.

– Como está a correr esta sua nova aposta?

– Muito bem. Acho que, de facto, é uma área que tem tudo a ver comigo.

– De que forma é que esta mudança aconteceu?

– Houve um dia em que, numa conversa, acharam que podia tentar dedicar-me à área do culturismo. E foi assim que tudo começou.

– Foi convidada para representar Portugal numa prova de culturismo no Canadá, em Agosto.

– Sim e estou muito orgulhosa. Fico com medo porque é uma grande responsabilidade. Quero muito conseguir ficar numa boa posição. O País tem muitos atletas e somos muito pouco falados, mesmo quanto trazemos muitas medalhas.

– Pretende mudar isso?

– Sim. Vou tentar dar um pouco mais de luz a essas situações. Eu sei que é muita ambição, mas quero mesmo trazer uma medalha. Vou para ficar no pódio.

– Em termos físicos, é um desafio que exige muitos sacrifícios?

– Sim, desde a hora de levantar até à hora de deitar. É preciso muita disciplina e uma entrega muito grande. Os treinos são exigentes e é preciso um grande esforço no que respeita à alimentação. Até os horários das refeições são muito controlados, mas tudo vale a pena.

– Porque decidiu deixar a apresentação para se dedicar a esta área?

– Nunca deixei a apresentação. O que aconteceu é que deixei de ter trabalho e uma pessoa tem de reagir. Infelizmente, não vivo do ar e tive de pensar em alternativas. Esta foi a minha estratégia para ultrapassar as dificuldades.

– Ficou magoada por não haver trabalho na televisão para si?

– Um bocadinho. A sensação que dá é que não se dá valor a quem se dedica ao máximo. Sou muito perfeccionista e gosto que os trabalhos que faço fiquem perfeitos e custa perceber que ninguém entendeu isso.

– Sente que não foi valorizada?

– Sim, um bocadinho, e fiquei triste com isso. Mas acho que são fases. Não estou de mal com ninguém e acho que a qualquer momento as coisas podem surgir porque continuo a ter o meu potencial. Apenas preciso de uma oportunidade para o conseguir mostrar.

– Sente saudades?

– Muitas mesmo. Até mesmo quando repetem os ‘Malucos do Riso’ [SIC] à noite tenho de ver. Vejo e sinto muita nostalgia, assim como quando me lembro dos meus directos.

– Do que sente mais saudades?

– Tenho tantas saudades da representação como da apresentação. Não consigo mesmo escolher uma das duas. Aliás, a melhor fase da minha vida foi quando estava a apresentar e a gravar uma série ao mesmo tempo. Foi a altura em que fui mais feliz a nível profissional.

– Se a chamassem para a televisão deixava o desporto?

– Não, ia tentar sempre conciliar, mesmo que perdesse tempo para a vida pessoal. A minha vida profissional é, de longe, a que mais me interessa. Está acima de qualquer coisa.

– Agora dá aulas em ginásios…

– Sim, dou aulas no InMotion, em Loures, e dou workshops em todo o País. Tem sido bom porque sinto que é algo que me faz bem.

– Alguma vez se tinha visto como professora?

– Desta área sim, é algo que gosto. Além disso, sei o que faço e sinto-me bem porque sinto-me segura com o meu trabalho.

– Como é que a sua família acompanhou todas estas alterações?

– Eles já me conhecem e sabem que nunca consegui estar parada. Tenho de estar sempre a criar alguma coisa e por isso apoiaram-me. Sempre estiveram presentes e isso é muito importante para mim.

– É uma pessoa que depende muito do apoio da família e dos amigos?

– Sou muito independente. Gosto muito de pedir algumas opiniões, mas quando me apetece avançar com qualquer coisa, avanço, mesmo quando tenho o Mundo contra mim. Sinto o dever de falar com as pessoas que gostam de mim, mas também sei o que quero.

– É uma pessoa de convicções fortes?

– Sim, tenho as minhas ideias e vou até ao fim, mesmo que as coisas acabem por não correr muito bem. Mas para mim é pior a ideia de não ter tentado.

– Vai agora ao Canadá. Se tudo correr bem, é capaz de ficar por lá?

– Sim, podia ficar. Já pensei várias vezes em sair daqui. Gosto muito de Portugal, mas aqui é tudo muito condicionado. Aos meus olhos, sinto que fora de Portugal se pode sonhar mais alto. Sei que as quedas podem acontecer, mas confesso que não me preocupo com isso. Gosto de sonhar alto e de lutar para conseguir conquistar o que pensei para mim.

– Sairia de Portugal para apostar no culturismo ou na televisão?

– Já pensei muito em apostar na representação, mas isso na fase em que esse era o meu trabalho. Nessa altura, sonhei muito com o Brasil, mas pouco fiz para que as coisas acontecessem porque colocava a minha vida pessoal em primeiro lugar.

– Arrependeu-se de colocar a vida pessoal em primeiro lugar?

– Sim e hoje não o faço. Neste momento, nada me impede e, se puder agarrar oportunidades lá fora com este campeonato, agarro. Se conseguir não voltar, não volto.

– Quer compensar a frustração de não ter tentado uma carreira internacional?

– Sim. Arrependo-me mesmo muito de me ter deixado ficar para trás na altura. Hoje em dia não me importo de perder algumas coisas a troco da minha realização profissional.

– Namorou com o actor Paulo Rocha, mas nunca mais lhe foi conhecido nenhum namorado…

– A vida amorosa não é mais a minha prioridade. Não sou uma pessoa fria mas as coisas mudaram para mim.

– Ter sido traída foi uma grande desilusão?

– É sempre. Além disso, antes de gostarmos de uma pessoa temos de gostar de nós e isso não acontecia. Eu aprendi isso com o tempo. Imaginar-me a dar tudo novamente por uma vida sentimental e ficar sem nada no fim, não quero.

– Agarrou-se mais ao trabalho como forma de ultrapassar essa desilusão amorosa?

– Foi uma bengala, sim. Mas também foi fazer aquilo que devia ter feito antes e não fiz. Tenho muita força de vontade e as lições aprendem-se à primeira.

– Mas criou medos?

– Sim, claro. Tenho muitos medos e tenho saudades de ter uma vida pessoal, mas conquistei a minha felicidade sem ela. Aprendi que é possível ser feliz apenas comigo, sem precisar de uma segunda pessoa. Sinto-me completa se estiver feliz com as minhas opções e as minhas opções neste momento são estas.

– Foi difícil conquistar esta forma de pensar?

– Sim, é um processo complicado. A minha relação terminou há mais de dois anos e o processo foi difícil. De tal forma que continuo sozinha. É uma luta muito difícil porque eu quando gosto, gosto e sou muito intensa. Dei mesmo tudo e senti que era possível o amor e uma cabana.

– Sente que foi a desilusão que sofreu que a mudou completamente?

– Sem dúvida. Estou mesmo muito diferente. Mas, felizmente, sinto que mudei para melhor. Sou muito mais atenta e cuidadosa.

– Ficou mais desconfiada em relação ao sexo masculino?

– Sim. É difícil para mim confiar. Não comparo pessoas, mas acabo por comparar situações e, às vezes, há situações em que rapidamente percebo que não quero aquilo para mim. Não quero que as coisas se repitam. Se tiver de fazer alguma asneira, que seja uma coisa nova. Repetir erros apenas me ia mostrar que não tinha aprendido com o que vivi no passado.

– Com 34 anos, o casamento faz parte dos seus planos?

– Já pensei muito nisso. Desde menina que penso nisso, mas nos dias de hoje não vejo isso. Tinha de ser uma sensação de outro Mundo para eu pensar nisso novamente. Há outros sonhos mais interessantes.

– E partilhar a vida com outra pessoa?

– Não quero estar sozinha, mas essa pessoa vai perceber facilmente que não é a pessoa mais importante da minha vida. Vou gostar dela e respeitá-la, mas fazê-la a minha prioridade, nunca.

– É uma pessoa fácil de afectos?

– Há muita gente a tentar aproximar-se de mim. Eu é que, logo à partida, corto. Acho que posso estar errada, mas neste momento é assim que me sinto bem.

– Sente saudades de se apaixonar?

– Sinto, muitas. Às vezes, sinto que vivo numa luta interior. Estou bem assim, mas tenho vontade de me apaixonar. De qualquer forma, não procuro e prefiro que não apareça essa paixão.

– Pela violência da paixão que viveu?

– Sim, pela violência de tudo o que passei. Criei outras prioridades e sinto que se tiver uma relação séria, essa pessoa não vai estar feliz comigo. Eu não vou fazê-la feliz porque não me vou privar das minhas coisas. Já aprendi.

– Como é que é a sua relação com a família?

– A minha relação com a minha mãe sempre foi muito tranquila. Mas houve sempre coisas que nunca lhe contei porque ela é muito diferente de mim. Eu era muito rebelde.

– O que fazia?

– Cheguei a saltar pela janela e, aos 17 anos, fugi por amor. Estive dois anos fora de casa, até a polícia nos encontrar.

– Porque decidiu fugir?

– O meu pai não concordava e eu por amor sempre fui capaz de tudo.

– Foi sempre uma mulher de grandes amores ou de grandes paixões?

– Eu já me apaixonei a pensar que era amor e já amei a pensar que era paixão. Nos dias de hoje, sei definir e sei que mais do que paixões, já amei e amei mesmo muito. Mas só me aconteceu uma vez.

– Acredita no destino?

– Não acredito que as pessoas têm a vida pré-destinada. Acho que somos nós que decidimos as nossas vidas e temos de ser intensos. As pessoas devem procurar ter qualidade de vida.

– Quando fala em qualidade de vida, a que se refere?

– Principalmente, às coisas simples da vida, como passar uma tarde com amigos.

INTIMIDADES

– Quem gostava de convidar para um jantar a dois?

– O actor Anthony Hopkins.

– Quem é para si o homem mais sexy?

– O actor Sean Connery, sem dúvida.

– O que não suporta no sexo oposto?

– Infidelidade é mesmo o pior. É uma coisa que me faz mesmo muita confusão.

– Qual é o seu maior vício?

– Tenho vários, mas o maior é mesmo o ginásio. Além disso, tenho o vício dos chocolates.

– Último livro que leu?

– Não me lembro do nome, mas é um sobre a inquisição.

– O filme da sua vida?

– ‘O Diário da Nossa Paixão’.

– Cidade preferida?

– Que eu conheça, Londres, porque gosto muito do contraste das cores e da organização.

– Um desejo?

– Ser totalmente feliz e um dia conseguir amar o Mundo inteiro.

– Complete. A minha vida é…

– Um edifício em construção e que dá muito trabalho a construir.

AUTORIA: CORREIO DA MANHA, POR: Sofia Martins Santos

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